Finalmente o mês de agosto acabou. Não sei, acho ele sempre muito longo e negativo, mesmo que nada de ruim aconteça. Talvez seja por causa da superstição que o povo tem em cima do pobre coitado. "Agosto, mês do desgosto e do cachorro louco."
Por um outro lado, fiquei bem triste que ele tenha acabado. O fim de agosto é um pré-anúncio do verão. Odeio calor.
Em setembro a gente já começa a notar as diferenças: não aguentamos mais dormir sem o ventilador ligado, o sol é mais forte e sua coloração fica de um amarelo vivo. À noite as ruas ficam mais cheias, as pessoas parecem estar de mal-humor, o número de enchentes e mortes cresce, ônibus lotados ficam ainda mais fedidos, a pele fica destruída, crianças se perdem na praia, a areia fica suja e turistas se sentem no direito de fazer o que quiserem, inclusive jogar palito de picolé e casca de siri por todo canto.
O trânsito fica insuportável. É fila pra pedágio, gente buzinando, criança chorando, biscoito de polvilho sujando o carro, protetor solar vazando na bolsa, vendedor de água mineral enchendo o saco.
Sem contar o bicho geográfico e a micose, né? Eu mesmo, sortudo como sou, já tive os dois.
O pior do verão é quando sua família decide que vai viajar no feriado. Alugam uma casa de veraneio que, além de ter só meia duzia de móveis, cheira a mofo e é aberta só uma vez ao ano. O tio fica bebâdo, todo mundo torce pra que não chova, o maldito do videokê fica ligado 24h por dia, a maionese azeda rápido, e o CD pirata de pagode rola solto. Sem contar as brincadeiras sem graça: jogam o amigo na piscina de estômago cheio, latinha de cerveja e churrasquinho na mão. Aí, quando o sol vai embora, o que fazer? Mais videokê, assistir novela e jogar tranca, buraco e dominó. Quando todos estão já indo dormir, o mais engraçadinho da turma (sempre tem!) se veste de monstro e vai assustar as mulheres da casa na saída do banheiro.
Depois de quatro dias comendo só carne e vinagrete, decidem inovar o prato. Mas o quê? Simples, claro! Macarronada! É mão de molho de tomate no sofá, gente arrotando pimentão e sobremesa até o Natal. Um inferno!
E, óbvio, todo mundo quer se queimar. Voltar pro escritório sem a marca de biquini e o rosto sem estar parecendo uma mortadela defumada não tem graça. Depois do banho (o sabonete fica sempre sujo de areia) é que se vê o resultado.
Todo verão, não importa como, sempre é lançada aquela música 'tema' da estação. Os anos passam e as composições de Axé Music ficam piores. Rebolation é um exemplo bem típico. Aliás, existe coisa mais idiota do que gente que pula atrás de um trio elétrico?
Eu já passei um carnaval na Bahia e foi uma coisa bem traumatizante.
Ivete Sangalo canta "Tá um empurra-empurra, mas tá gostoso" porque não é ela que fica lá embaixo, sofrendo com aquela gente que você nunca viu roçando a axila no seu rosto.
Adeus, inverno, vou sentir saudade.
Por um outro lado, fiquei bem triste que ele tenha acabado. O fim de agosto é um pré-anúncio do verão. Odeio calor.
Em setembro a gente já começa a notar as diferenças: não aguentamos mais dormir sem o ventilador ligado, o sol é mais forte e sua coloração fica de um amarelo vivo. À noite as ruas ficam mais cheias, as pessoas parecem estar de mal-humor, o número de enchentes e mortes cresce, ônibus lotados ficam ainda mais fedidos, a pele fica destruída, crianças se perdem na praia, a areia fica suja e turistas se sentem no direito de fazer o que quiserem, inclusive jogar palito de picolé e casca de siri por todo canto.
O trânsito fica insuportável. É fila pra pedágio, gente buzinando, criança chorando, biscoito de polvilho sujando o carro, protetor solar vazando na bolsa, vendedor de água mineral enchendo o saco.
Sem contar o bicho geográfico e a micose, né? Eu mesmo, sortudo como sou, já tive os dois.
O pior do verão é quando sua família decide que vai viajar no feriado. Alugam uma casa de veraneio que, além de ter só meia duzia de móveis, cheira a mofo e é aberta só uma vez ao ano. O tio fica bebâdo, todo mundo torce pra que não chova, o maldito do videokê fica ligado 24h por dia, a maionese azeda rápido, e o CD pirata de pagode rola solto. Sem contar as brincadeiras sem graça: jogam o amigo na piscina de estômago cheio, latinha de cerveja e churrasquinho na mão. Aí, quando o sol vai embora, o que fazer? Mais videokê, assistir novela e jogar tranca, buraco e dominó. Quando todos estão já indo dormir, o mais engraçadinho da turma (sempre tem!) se veste de monstro e vai assustar as mulheres da casa na saída do banheiro.
Depois de quatro dias comendo só carne e vinagrete, decidem inovar o prato. Mas o quê? Simples, claro! Macarronada! É mão de molho de tomate no sofá, gente arrotando pimentão e sobremesa até o Natal. Um inferno!
E, óbvio, todo mundo quer se queimar. Voltar pro escritório sem a marca de biquini e o rosto sem estar parecendo uma mortadela defumada não tem graça. Depois do banho (o sabonete fica sempre sujo de areia) é que se vê o resultado.
Todo verão, não importa como, sempre é lançada aquela música 'tema' da estação. Os anos passam e as composições de Axé Music ficam piores. Rebolation é um exemplo bem típico. Aliás, existe coisa mais idiota do que gente que pula atrás de um trio elétrico?
Eu já passei um carnaval na Bahia e foi uma coisa bem traumatizante.
Ivete Sangalo canta "Tá um empurra-empurra, mas tá gostoso" porque não é ela que fica lá embaixo, sofrendo com aquela gente que você nunca viu roçando a axila no seu rosto.
Adeus, inverno, vou sentir saudade.